AROEIRA, CARTUNISTA PRA LÁ DE PAU PEREIRA

Por Mino

01 de Novembro de 2021

Renato Aroeira_Guernica Amazônica.jpg

          Aroeira, árvore pertencente á família das anacardiáceas, rica em propriedades medicinais. Quando se chama uma pessoa de aroeira significa que se trata de alguém forte, possante, sarado, poderoso. Na umbanda aroeira serve como banho de descarrego, que serve como escudo e proteção contra demandas.

          Na charge é o nome de Renato, grande desenhista e caricaturista, exímio e contundente chargista, denunciador de situações políticas e sociais, onde costuma ir fundo tocando no cerne das questões.

          A capa dessa edição da RIVISTA é dele, que nos deu permissão de usá-la, charge premiada, diga-se de passagem, prêmio Herzog, vale mencionar. Uma charge que é uma transposição do quadro GUERNICA, de Picasso. Uma releitura impactante, mordaz, consequente, que mostra a curta distância entre uma obra e outra, entre um fato e outro, numa similaridade impressionante. GUERNICA e AMAZÔMIA se irmanam como realidade social. A destruição de nacionalidade, de um meio, de um ambiente. A primeira, destruída pela ação do bombardeio alemão nazista, a parceria sinistra entre Hitler e Franco. A segunda, mil vezes retratada pelas lentes dos grandes fotógrafos e cientistas, dimensionada por todos os noticiários.

          Picasso retratou a primeira, num quadro de gênio que denunciou a tragédia genocida soberbamente cruel. E por aí dizem, que quando o quadro foi exposto em Paris, o general alemão nazista que era o comandante da ocupação, ao ser apresentado ao autor da obra, perguntou-lhe:

          - Foi você, quem fez essa coisa horrorosa?

          - Não! Foram os senhores. Respondeu Picasso.

          Aroeira retratou a Amazônia no mesmo contexto, não acham? Falta apenas um general que lhe faça essa mesma pergunta.

          - Foi você?

          E Aroeira responderia a mesma coisa.